quarta-feira, 24 de outubro de 2012

MANAUS: MÃE DOS DEUSES



Foto: Largo de São Sebastião. Manaus. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Hoje, Manaus completa 343 anos de existência. Parabéns aos Manauaras, filhos e filhas da Deusa-mãe. Hoje é dia de Festa na Taba dos Barés e dos Tarumãs!
 
Saudações Geográficas!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

DIÁRIO DE VIAGEM, PARINTINS.



Foto: Vista de Parintins a partir da Torre do Sineiro da Igreja de Nsa. do Carmo.
 Parintins/AM. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
Desta incrível viagem até Parintins, aprendi muitas coisas e ao mesmo tempo, voltei desintoxicado da vida urbana acelerada vivida no dia-a-dia da metrópole Manaus. Neste sentido, destaco além das paisagens fantásticas, a cultura e sobretudo as pessoas. Montar um roteiro de viagem não foi fácil, ainda mais em se tratando da Ilha Tupinambarana no período do Festival folclórico. Reúno aqui algumas imagens que possam ajudar aos futuros andarilhos deste impressionante horizonte chamado Parintins.
Foto: Café da manhã em Parintins. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
Não podemos deixar de visitar a Casa dos Artistas paritinenses, onde a alimentação é bem regional e não tão intoxidada de conservantes, pois podemos degustar de uma comida gostosa e sucos de frutas regionais deliciosos. Da mesma forma que podemos apreciar o trabalho dos artistas numa espécie de galpão-ateliê. Logo á sua frente temos uma loginha dos Bois de Parintins, sofisticada para atender fundamentalmente visitantes e turistas mais exigentes. Os dois lugares ficam a cerca de 300 metros do Porto de Parintins. Vale a pena conferir!
Foto: Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Parintins/AM.
Foto: Geóg. M. Bechman, 2012.

A Igreja com a subida por escadas em sua torre de sinos, nos dá uma visão panorâmica belíssima da cidade de Parintins. A força do cristianismo católico é evidente na cultura da ilha com o culto a Nossa Senhora do Carmo, cujos festejos se estendem por dias atraindo romeiros ribeirinhos de todo o Baixo Amazonas até de Manaus. A imponente arquitetura da catedral, mostra esta participação ativa na cultura cabocla da fé católica bastante festejada e recontada no auto dos bois de Parintins.



Foto: Residência do Comendador J. G. de Araújo. Vila Amazônia.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.




Não dá para ir até Parintins e não conferir uma ida até a Comunidade de Vila Amazônia, onde estão os vestígios da ocupação japonesa durante a década de 1930 no Amazonas e a residência de um dos empreededores mais importantes da época da Borracha, a residência do Comendador português J.G de Araújo. De barcos rápidos a visita poderá ser feita em no máximo 20 minutos a partir do Porto da Francesa.
Foto: Balneário do Canta Galo. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
Após cada dia de festival, é muito bom para recuperar a energia curtir um pouco o sol e o rio Amazonas no belíssimo balneário do Canta Galo que por ocasião do festival estava muito bem guardado por helicópteros e embarcações de segurança. Não pode-se deixar de alomoçar e "pegar" um sol no Canta Galo, regado a muita toada, novas e antigas de Garantido e Caprichoso. Beleza!
Foto: Pequenas embarcações para Vila Amazônia.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
Aviso aos andarilhos: Ir á Parintins tem que ser nas redes e de barco (procure sempre os de cascos de ferro) e a volta, depende se quiser voltar rápido é de avião, senão venha contemplando a belíssima paisagem do Amazonas. Valeu!
Saudações Geográficas!


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A FESTA DE PARINTINS, Parte 2


Foto: Vaqueirado do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Antes do advento dos Compact Disc (CDs) e outras mídias, tínhamos o Lado A e o Lado B nos discos de vinil. Da mesma forma, usamos para caracterizar esta bonita festa folclórica de Parintins. A apresentação dos Bois Bumbás nas três noites e a rivalidade centenária entre estes grupos folclóricos no Amazonas, fizeram com que dividissemos esta postagem em duas partes.
 
Foto: Galera do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
 
 
As apresentações do segundo dia de festival, mantiveram uma animação e beleza superlativos. A Vaqueirada do Caprichoso, com suas toadas clássicas, realmente é de emocionar. As alegorias com beleza e perfeição compunham um cenário místico e fantasioso, bem característico de uma festa folclórica no Amazonas. A riqueza e o belo acabamento das fantasias do Boi Caprichoso, é algo para se contemplar sempre. Eis os prêmios para nos deslocarmos de casa para eventos tão belos e marcantes como este.
 
Foto: Fogos de Artificio para o Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
 
 
Os fogos, a marujada, o ritmo e a massa azulada, perfazem e mostram a graça da vida, nesta região tão especial do planeta. A cultura popular tema do Boi da Chuva, com suas toadas encantadoras na voz de David Assayag - que este ano, veio suspenso na forma de uma estrela - analogia ao Boi Caprichoso, relamente é de arrepiar. Emoções, aliás que só acometem aqueles que estão presentes na festa de Parintins.
 
Foto: Alegoria Regional do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
 
 
A alegria azul estava completa, com os itens em forma na arena, o Caprichoso fez chover na arena, com tanta beleza e organização. De fato, uma apresentação sem retoques. Cheia de emoção, força e animação.
 
Viva a Cultura Popular! Viva o Boi de Parintins...
 
 
 

sábado, 11 de agosto de 2012

A FESTA DE PARINTINS, parte 1

Foto: Êxtase da apresentação do Boi Garantido. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Finalmente, em Parintins, prontos para a maratona folclórica da Ilha encantada do Amazonas. Com alguma dificuldade conseguimos entrar para as arquibancadas do Bumbá Caprichoso, isto por volta das 16h do primeiro dia de apresentação e o Bumbóbromo completamente tomado nas "galeras", mesmo sabendo que teríamos que esperar toda a apresentação do Bumbá Garantido - o que duraria em média 2h e 30 minutos, para assim nos agitarmos e brincarmos de Boi Bumbá.

Foto: Galera do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Um ambiente alto astral, no ensaio geral ainda de tarde, na passagem de som, a vibração empolgante da galera (torcida) do Boi Azul do Bairro da Francesa, um êxtase de alegria e ritmo nos ensaios para a apresentação oficial que só começaria ás 20h da noite. Ao chegarmos não podíamos mais subir em direção á arquibancada para nos assentarmos, ficamos numa "espécie de geral" - linha em que os torcedores de futebol assitiam aos jogos em pé.

Foto: Galera do Boi Caprichoso na arena. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012


Depois de uma pequena liberação da Polícia Militar, uma verdadeira corrente subiu nos levando com ela e após isso, fechou-se a passagem por medida de segurança. Enfim, estávamos prontos para viver o famoso Festival Folclórico de Parintins.

O primeiro Boi a se apresentar foi o Garantido, com sua galera avermelhada que a 14 anos não perdia o título de melhor galera do festival. Como por tradição, a entrada do Garantido, contagia o lado vermelho da arena, ao som dos tambores da batucada com a força das toadas. Um êxtase coletivo inenarrável.

Foto: Galera e Tuxauas do Boi Garantido. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

"...Pulsa coração vermelho, pulsa coração..." e "É assim que se brinca de boi...é assim que se brinca de boi!"

A festa em vermelho e a força da galera do Garantido, mostraram porquê o Boi Vermelho da Baixa do São José já foi Pentacampeão do Festival. Numa palavra: Espetacular!

domingo, 22 de julho de 2012

CHEGADA EM PARINTINS, Diário de Bordo 3

Foto: Porto de Parintins/AM. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

A Chegada a Parintins foi muito tranquila, durante a madrugada apenas a lua e o frio das águas do Rio Amazonas nos faziam a companhia certa e necessária para aportar na ilha Tupinambarana. Na madrugada, percebi porque este lugar é mágico. A Lua iluminava a noite em total esplendor, refletindo nas águas á medida que avistávamos a cidade iluminada em alaranjado das luzes de mercúrio dos postes de iluminação pública do porto de Parintins. Vimos com clareza a influência destes fenômenos ou melhor caprichos da natureza e o quanto é fácil transformar estas visões em poesias singulares e eternas. Guardarei para sempre, a imagem da lua refletida nas águas do Rio Amazonas, o que me voltou à memória das histórias dos meus pais e das lendas como a da Vitória-Régia.
Foto: Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

No desembarque, em plena madrugada, um movimento frenético de pessoas e bagagens que chegavam ás centenas em embarcações pequenas, medianas e grandes. Desembarcamos ás 2h da madrugada do dia 30 de julho e usamos um táxi-frete, para chegarmos á casa em que ficaríamos hospedados. No passeio solitário em direção ao bairro da Francesa - um reduto fortíssimo do Boi Caprichoso, observei o silêncio sepulcral da cidade, impecavelmente limpa, sem pessoas e sujeira nas ruas estreitas e lineares. A arquitetura das residências, em formas singulares, pintadas e alinhadas naquele bairro chamavam a atenção dos andarilhos mais experientes. Chegamos á casa de nossos parentes para a acomodação durante os dias do festival, ás margens da Lagoa da Francesa.

Foto: Café da manhã em Parintins. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

 
Ao acordarmos, eu fui para a rua observar a orquestra de pássaros com sons, os mais diferentes e controversos já ouvidos por minha audição. Um espetáculo da natureza, eram anús, garças, papagaios, periquitos, e tantos outros que nos saúdavam com a alvorada do dia sobre a presença dos trabalhadores do Porto da Francesa que cedo, já tratavam de suas embarcações por mais um dia de trabalho. Nosso primeiro café foi na Casa do Artista, nas proximidades do Porto de Parintins, uma construção simples, com a aparência de um atêlie em que estavam em exposição muitas pinturas regionais e artigos artesanais. O detalhe importante, é que neste lugar, não se vendia refrigerante e ou bebidas alcólicas. E, como bons amazonenses, pedimos o famoso "X-caboquinho" com pão, tucumã e queijo coalho e um suco delicioso de goiaba e taperebá. Fantástico! Nada mais saudável que começar o dia de andarilho com este café da manhã. Aliás, nosso dia estava apenas começando!

Saudações Geográficas!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

RUMO A PARINTINS, Diário de Bordo 2

Foto: Vista parcial de Itacoatiara. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

Por volta das 18h passamos por frente do Municipio de Itacoatiara, tão famoso quanto importante para a formação do estado do Amazonas. É a terra da "Pedra Pintada" nome alusivo á rochas com inscrições rupestres, daí o nome de Itacoatiara ou Itaquatiara. É a primeira vez que avisto a cidade de onde meus pais vieram e sobre isto não posso disfarçar a falta de curiosidade em visitar este lugar tão especial em também foram assentados alguns colonos judeus, além do imaginário construído sobre este lugar pelos meus pais, ainda muito presentes nas minhas recordações de infância. Só para se ter uma idéia, minha mãe, falava do evento sobre o afundamento de barcos num confronto entre amazonenses e paraenses (oriundos de Óbidos) por ocasião da Revolução Constitucionalista de 1932, reconhecida pelos geopolíticos brasileiros como a Batalha Naval mais importante da América Latina no século XX.

Foto: Margem esquerda do Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

O enredo consiste no arregimento de revoltosos em Óbidos no Pará que apoiando São Paulo, depuseram o prefeito local e rumaram para depor o governo amazonense, que preparou a defesa da cidade e do estado com uma esquadra naval sob o comando do 27° BC (Batalhão de Caçadores) que funcionava nas dependências do atual prédio do Colégio Militar de Manaus (CMM). Neste episódio da história nacional e regional, ainda paira uma "nuvem" quanto as informações. Os amazonenses afundaram embarcações revoltosas após ameaçarem o bombardeio de Itacoatiara e alinharam-se a ordem política institucional vigente. Só um dos pequenos motivos pelos quais este lugar exerce um fascínio sobre mim, além dos contos de botos vermelhos, matinta-pêrera, curupira e outras lendas.

Foto: Geosistema amazônico. Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

A impressionante paisagem amazônica em tons, matizes e feições, se revela ao longo do caminho pela estrada de rio, numa visão esplendorosa da criação divina. O magnífico manancial de água doce justaposto ao não menos superlativo estoque de carbono da floresta ombrófila, compoem um cenário dialético imperante no geossistema amazônico, alimentado pela grande concentração de rios aéreos num volume produzido pela espetacular evaporação dos cursos dágua e pela evapotranspiração da paisagem vegetal em gênesis perpétua.


Foto: Margem direita do Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
A presença humana ao longo do caminho mostra apenas uma insgnificância existencial, mediante a grandiosidade da corbetura vegetal e o mundo das águas, imperam na construção de uma espacialidade do possível, mediada pelos "ditames" da natureza perfazen do uma atmosfera mitica e mística da existência. Aqui, as águas, os ventos, animais, vegetais, e histórias ancestrais ganham peso e são atores e atrizes nesta ópera da existência.

Foto: Rio Amazonas: O Desafio da Logística. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Não fosse apenas, o desafio amazônico, as distâncias dão o tempo e o ritmo dos ciclos nesta região. As distâncias incorporadas ao cotidiano dos caboclos nos lembra "os tempos lentos" de Milton Santos, e o desespero das empresas capitalistas para agilizarem o domínio sobre esta região tão especial. Neste caminho, balsas transitam diuturnamente, num exercício quase inglório diante da grandeza do rio Amazonas. Estamos chegando a Parintins!


Saudações Geográficas!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

RUMO Á PARINTINS, DIÁRIO DE BORDO 1

Foto: Rio Amazonas.Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

De  Manaus a Parintins, fizemos a opção de Barco, via Rio Amazonas. O Navio Parintins foi o escolhido por ser casco de ferro e pelo tamanho ser imponente o suficiente para oferecer uma certa segurança aos andarilhos. Tudo é muito novo, mas a tortura por busca de informações seguras sobre o trajeto e embarcações, foram diluídas ante a paisagem exuberante do Amazonas. O vento, as águas e a paisagem sob o sol amazonense, tornou nossa viagem um pouco mais prazerosa. Reconhecemos que descer o rio Amazonas é mesmo bem melhor que subí-lo.

 
Foto: Encontro das águas, do Rio Negro com o Rio Solimões
. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.


Só para se ter uma idéia, viajamos em 18 horas do Porto do Rodway em Manaus, tendo duas paradas, uma no Porto da Manaus Moderna para pegar passageiros que compraram seus bilhetes nas "agências" da Manaus Moderna e aí o embarque pareceu uma fuga cinematográfica de guerra para acessar o barco com destino á ilha tupinambarana. A  segunda parada do Navio Parintins foi no posto da Marinha para contar os passageiros, sendo aferidos 511 de uma capacidade de 615 para esta embarcação. Feita a vistoria, seguimos em direção a Parintins. Na passagem pelo encontro das águas dos rios Negro com o Solimões a beleza e gênese divina na formação do Rio Amazonas, o Negro com suas águas ácidas na cor de café com as águas barrentas do rio Solimões. A brisa constante já se torna um importante antídoto para os males causados pela vida urbana e para as doenças capitalitas como o stress, a fadiga e a ansiedade.


Foto: Redes atadas na embarcação. Autor: Geóg. M. Bechma, 2012.

Nosso passaporte, nas redes atadas no barco e trançadas a tantas outras pessoas com as suas, nos dão a clara idéia de que somos iguais, independente da formação profissional, da cultura e do gênero. Estávamos ali, num mesmo destino, embora diferentes em quase tudo. Mas, a grandeza do Amazonas simplesmente assusta, admira e encanta os andarilhos. O rio Amazonas está em vazante, mas ainda pode-se observar propriedades inundadas ao longo de suas margens, num ritual de séculos, misturando-se á própria mística da criação e recriação das paisagens amazônicas e amazonenses.

Cada residência na imensidão da paisagem natural, parece revelar a insgnificância da presença humana na vastidão da Amazônia. E, cada família cabocla transforma-se em heroína perante o gigantismo do imperador dos rios, o Amazonas. Neste cenário, o Amazonas ainda dá a tom da vida.


Foto: Crepúsculo no Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Chegado o entardecer, o espetáculo da criação se mostra fielmente a partir do maravilhoso crepúculo que une sol e água, num caminho refletido nas águas do rio Amazonas. Um dos prêmios no trajeto de barco. Os tons dourados do rio iluminados pelo esplendor dos raios solares contrasta com a paisagem em verdes e de diferentes nuançes e cores esbranquiçadas das esécies vegetais em processo de realimentação da vida no rio Amazonas, paisagens aliás que lembram o inverno das zonas temperadas em descompasso ao verde variado da floresta higrófila. Isto é apenas um relato ínfimo de uma viagem pelo gigante Amazonas. A noite chega, e os pontos iluminados tornam-se mais escassos e a companhia de uma lua crescente ilumina a imensidão de água no cumprimento do destino. Estamos no meio do Amazonas e os andarilhos recolhem-se ás redes para o repouso, embora para este andarilho, sono é uma coisa, a ser desfrutada apenas em seu retorno á Manaus.

Saudações Geográficas!