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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A FESTA DE PARINTINS, Parte 2


Foto: Vaqueirado do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Antes do advento dos Compact Disc (CDs) e outras mídias, tínhamos o Lado A e o Lado B nos discos de vinil. Da mesma forma, usamos para caracterizar esta bonita festa folclórica de Parintins. A apresentação dos Bois Bumbás nas três noites e a rivalidade centenária entre estes grupos folclóricos no Amazonas, fizeram com que dividissemos esta postagem em duas partes.
 
Foto: Galera do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
 
 
As apresentações do segundo dia de festival, mantiveram uma animação e beleza superlativos. A Vaqueirada do Caprichoso, com suas toadas clássicas, realmente é de emocionar. As alegorias com beleza e perfeição compunham um cenário místico e fantasioso, bem característico de uma festa folclórica no Amazonas. A riqueza e o belo acabamento das fantasias do Boi Caprichoso, é algo para se contemplar sempre. Eis os prêmios para nos deslocarmos de casa para eventos tão belos e marcantes como este.
 
Foto: Fogos de Artificio para o Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
 
 
Os fogos, a marujada, o ritmo e a massa azulada, perfazem e mostram a graça da vida, nesta região tão especial do planeta. A cultura popular tema do Boi da Chuva, com suas toadas encantadoras na voz de David Assayag - que este ano, veio suspenso na forma de uma estrela - analogia ao Boi Caprichoso, relamente é de arrepiar. Emoções, aliás que só acometem aqueles que estão presentes na festa de Parintins.
 
Foto: Alegoria Regional do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
 
 
A alegria azul estava completa, com os itens em forma na arena, o Caprichoso fez chover na arena, com tanta beleza e organização. De fato, uma apresentação sem retoques. Cheia de emoção, força e animação.
 
Viva a Cultura Popular! Viva o Boi de Parintins...
 
 
 

sábado, 11 de agosto de 2012

A FESTA DE PARINTINS, parte 1

Foto: Êxtase da apresentação do Boi Garantido. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Finalmente, em Parintins, prontos para a maratona folclórica da Ilha encantada do Amazonas. Com alguma dificuldade conseguimos entrar para as arquibancadas do Bumbá Caprichoso, isto por volta das 16h do primeiro dia de apresentação e o Bumbóbromo completamente tomado nas "galeras", mesmo sabendo que teríamos que esperar toda a apresentação do Bumbá Garantido - o que duraria em média 2h e 30 minutos, para assim nos agitarmos e brincarmos de Boi Bumbá.

Foto: Galera do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Um ambiente alto astral, no ensaio geral ainda de tarde, na passagem de som, a vibração empolgante da galera (torcida) do Boi Azul do Bairro da Francesa, um êxtase de alegria e ritmo nos ensaios para a apresentação oficial que só começaria ás 20h da noite. Ao chegarmos não podíamos mais subir em direção á arquibancada para nos assentarmos, ficamos numa "espécie de geral" - linha em que os torcedores de futebol assitiam aos jogos em pé.

Foto: Galera do Boi Caprichoso na arena. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012


Depois de uma pequena liberação da Polícia Militar, uma verdadeira corrente subiu nos levando com ela e após isso, fechou-se a passagem por medida de segurança. Enfim, estávamos prontos para viver o famoso Festival Folclórico de Parintins.

O primeiro Boi a se apresentar foi o Garantido, com sua galera avermelhada que a 14 anos não perdia o título de melhor galera do festival. Como por tradição, a entrada do Garantido, contagia o lado vermelho da arena, ao som dos tambores da batucada com a força das toadas. Um êxtase coletivo inenarrável.

Foto: Galera e Tuxauas do Boi Garantido. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

"...Pulsa coração vermelho, pulsa coração..." e "É assim que se brinca de boi...é assim que se brinca de boi!"

A festa em vermelho e a força da galera do Garantido, mostraram porquê o Boi Vermelho da Baixa do São José já foi Pentacampeão do Festival. Numa palavra: Espetacular!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

RUMO A PARINTINS, Diário de Bordo 2

Foto: Vista parcial de Itacoatiara. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

Por volta das 18h passamos por frente do Municipio de Itacoatiara, tão famoso quanto importante para a formação do estado do Amazonas. É a terra da "Pedra Pintada" nome alusivo á rochas com inscrições rupestres, daí o nome de Itacoatiara ou Itaquatiara. É a primeira vez que avisto a cidade de onde meus pais vieram e sobre isto não posso disfarçar a falta de curiosidade em visitar este lugar tão especial em também foram assentados alguns colonos judeus, além do imaginário construído sobre este lugar pelos meus pais, ainda muito presentes nas minhas recordações de infância. Só para se ter uma idéia, minha mãe, falava do evento sobre o afundamento de barcos num confronto entre amazonenses e paraenses (oriundos de Óbidos) por ocasião da Revolução Constitucionalista de 1932, reconhecida pelos geopolíticos brasileiros como a Batalha Naval mais importante da América Latina no século XX.

Foto: Margem esquerda do Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

O enredo consiste no arregimento de revoltosos em Óbidos no Pará que apoiando São Paulo, depuseram o prefeito local e rumaram para depor o governo amazonense, que preparou a defesa da cidade e do estado com uma esquadra naval sob o comando do 27° BC (Batalhão de Caçadores) que funcionava nas dependências do atual prédio do Colégio Militar de Manaus (CMM). Neste episódio da história nacional e regional, ainda paira uma "nuvem" quanto as informações. Os amazonenses afundaram embarcações revoltosas após ameaçarem o bombardeio de Itacoatiara e alinharam-se a ordem política institucional vigente. Só um dos pequenos motivos pelos quais este lugar exerce um fascínio sobre mim, além dos contos de botos vermelhos, matinta-pêrera, curupira e outras lendas.

Foto: Geosistema amazônico. Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

A impressionante paisagem amazônica em tons, matizes e feições, se revela ao longo do caminho pela estrada de rio, numa visão esplendorosa da criação divina. O magnífico manancial de água doce justaposto ao não menos superlativo estoque de carbono da floresta ombrófila, compoem um cenário dialético imperante no geossistema amazônico, alimentado pela grande concentração de rios aéreos num volume produzido pela espetacular evaporação dos cursos dágua e pela evapotranspiração da paisagem vegetal em gênesis perpétua.


Foto: Margem direita do Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
A presença humana ao longo do caminho mostra apenas uma insgnificância existencial, mediante a grandiosidade da corbetura vegetal e o mundo das águas, imperam na construção de uma espacialidade do possível, mediada pelos "ditames" da natureza perfazen do uma atmosfera mitica e mística da existência. Aqui, as águas, os ventos, animais, vegetais, e histórias ancestrais ganham peso e são atores e atrizes nesta ópera da existência.

Foto: Rio Amazonas: O Desafio da Logística. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Não fosse apenas, o desafio amazônico, as distâncias dão o tempo e o ritmo dos ciclos nesta região. As distâncias incorporadas ao cotidiano dos caboclos nos lembra "os tempos lentos" de Milton Santos, e o desespero das empresas capitalistas para agilizarem o domínio sobre esta região tão especial. Neste caminho, balsas transitam diuturnamente, num exercício quase inglório diante da grandeza do rio Amazonas. Estamos chegando a Parintins!


Saudações Geográficas!