sábado, 11 de agosto de 2012

A FESTA DE PARINTINS, parte 1

Foto: Êxtase da apresentação do Boi Garantido. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Finalmente, em Parintins, prontos para a maratona folclórica da Ilha encantada do Amazonas. Com alguma dificuldade conseguimos entrar para as arquibancadas do Bumbá Caprichoso, isto por volta das 16h do primeiro dia de apresentação e o Bumbóbromo completamente tomado nas "galeras", mesmo sabendo que teríamos que esperar toda a apresentação do Bumbá Garantido - o que duraria em média 2h e 30 minutos, para assim nos agitarmos e brincarmos de Boi Bumbá.

Foto: Galera do Boi Caprichoso. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Um ambiente alto astral, no ensaio geral ainda de tarde, na passagem de som, a vibração empolgante da galera (torcida) do Boi Azul do Bairro da Francesa, um êxtase de alegria e ritmo nos ensaios para a apresentação oficial que só começaria ás 20h da noite. Ao chegarmos não podíamos mais subir em direção á arquibancada para nos assentarmos, ficamos numa "espécie de geral" - linha em que os torcedores de futebol assitiam aos jogos em pé.

Foto: Galera do Boi Caprichoso na arena. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012


Depois de uma pequena liberação da Polícia Militar, uma verdadeira corrente subiu nos levando com ela e após isso, fechou-se a passagem por medida de segurança. Enfim, estávamos prontos para viver o famoso Festival Folclórico de Parintins.

O primeiro Boi a se apresentar foi o Garantido, com sua galera avermelhada que a 14 anos não perdia o título de melhor galera do festival. Como por tradição, a entrada do Garantido, contagia o lado vermelho da arena, ao som dos tambores da batucada com a força das toadas. Um êxtase coletivo inenarrável.

Foto: Galera e Tuxauas do Boi Garantido. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

"...Pulsa coração vermelho, pulsa coração..." e "É assim que se brinca de boi...é assim que se brinca de boi!"

A festa em vermelho e a força da galera do Garantido, mostraram porquê o Boi Vermelho da Baixa do São José já foi Pentacampeão do Festival. Numa palavra: Espetacular!

domingo, 22 de julho de 2012

CHEGADA EM PARINTINS, Diário de Bordo 3

Foto: Porto de Parintins/AM. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

A Chegada a Parintins foi muito tranquila, durante a madrugada apenas a lua e o frio das águas do Rio Amazonas nos faziam a companhia certa e necessária para aportar na ilha Tupinambarana. Na madrugada, percebi porque este lugar é mágico. A Lua iluminava a noite em total esplendor, refletindo nas águas á medida que avistávamos a cidade iluminada em alaranjado das luzes de mercúrio dos postes de iluminação pública do porto de Parintins. Vimos com clareza a influência destes fenômenos ou melhor caprichos da natureza e o quanto é fácil transformar estas visões em poesias singulares e eternas. Guardarei para sempre, a imagem da lua refletida nas águas do Rio Amazonas, o que me voltou à memória das histórias dos meus pais e das lendas como a da Vitória-Régia.
Foto: Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

No desembarque, em plena madrugada, um movimento frenético de pessoas e bagagens que chegavam ás centenas em embarcações pequenas, medianas e grandes. Desembarcamos ás 2h da madrugada do dia 30 de julho e usamos um táxi-frete, para chegarmos á casa em que ficaríamos hospedados. No passeio solitário em direção ao bairro da Francesa - um reduto fortíssimo do Boi Caprichoso, observei o silêncio sepulcral da cidade, impecavelmente limpa, sem pessoas e sujeira nas ruas estreitas e lineares. A arquitetura das residências, em formas singulares, pintadas e alinhadas naquele bairro chamavam a atenção dos andarilhos mais experientes. Chegamos á casa de nossos parentes para a acomodação durante os dias do festival, ás margens da Lagoa da Francesa.

Foto: Café da manhã em Parintins. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

 
Ao acordarmos, eu fui para a rua observar a orquestra de pássaros com sons, os mais diferentes e controversos já ouvidos por minha audição. Um espetáculo da natureza, eram anús, garças, papagaios, periquitos, e tantos outros que nos saúdavam com a alvorada do dia sobre a presença dos trabalhadores do Porto da Francesa que cedo, já tratavam de suas embarcações por mais um dia de trabalho. Nosso primeiro café foi na Casa do Artista, nas proximidades do Porto de Parintins, uma construção simples, com a aparência de um atêlie em que estavam em exposição muitas pinturas regionais e artigos artesanais. O detalhe importante, é que neste lugar, não se vendia refrigerante e ou bebidas alcólicas. E, como bons amazonenses, pedimos o famoso "X-caboquinho" com pão, tucumã e queijo coalho e um suco delicioso de goiaba e taperebá. Fantástico! Nada mais saudável que começar o dia de andarilho com este café da manhã. Aliás, nosso dia estava apenas começando!

Saudações Geográficas!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

RUMO A PARINTINS, Diário de Bordo 2

Foto: Vista parcial de Itacoatiara. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

Por volta das 18h passamos por frente do Municipio de Itacoatiara, tão famoso quanto importante para a formação do estado do Amazonas. É a terra da "Pedra Pintada" nome alusivo á rochas com inscrições rupestres, daí o nome de Itacoatiara ou Itaquatiara. É a primeira vez que avisto a cidade de onde meus pais vieram e sobre isto não posso disfarçar a falta de curiosidade em visitar este lugar tão especial em também foram assentados alguns colonos judeus, além do imaginário construído sobre este lugar pelos meus pais, ainda muito presentes nas minhas recordações de infância. Só para se ter uma idéia, minha mãe, falava do evento sobre o afundamento de barcos num confronto entre amazonenses e paraenses (oriundos de Óbidos) por ocasião da Revolução Constitucionalista de 1932, reconhecida pelos geopolíticos brasileiros como a Batalha Naval mais importante da América Latina no século XX.

Foto: Margem esquerda do Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

O enredo consiste no arregimento de revoltosos em Óbidos no Pará que apoiando São Paulo, depuseram o prefeito local e rumaram para depor o governo amazonense, que preparou a defesa da cidade e do estado com uma esquadra naval sob o comando do 27° BC (Batalhão de Caçadores) que funcionava nas dependências do atual prédio do Colégio Militar de Manaus (CMM). Neste episódio da história nacional e regional, ainda paira uma "nuvem" quanto as informações. Os amazonenses afundaram embarcações revoltosas após ameaçarem o bombardeio de Itacoatiara e alinharam-se a ordem política institucional vigente. Só um dos pequenos motivos pelos quais este lugar exerce um fascínio sobre mim, além dos contos de botos vermelhos, matinta-pêrera, curupira e outras lendas.

Foto: Geosistema amazônico. Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

A impressionante paisagem amazônica em tons, matizes e feições, se revela ao longo do caminho pela estrada de rio, numa visão esplendorosa da criação divina. O magnífico manancial de água doce justaposto ao não menos superlativo estoque de carbono da floresta ombrófila, compoem um cenário dialético imperante no geossistema amazônico, alimentado pela grande concentração de rios aéreos num volume produzido pela espetacular evaporação dos cursos dágua e pela evapotranspiração da paisagem vegetal em gênesis perpétua.


Foto: Margem direita do Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
A presença humana ao longo do caminho mostra apenas uma insgnificância existencial, mediante a grandiosidade da corbetura vegetal e o mundo das águas, imperam na construção de uma espacialidade do possível, mediada pelos "ditames" da natureza perfazen do uma atmosfera mitica e mística da existência. Aqui, as águas, os ventos, animais, vegetais, e histórias ancestrais ganham peso e são atores e atrizes nesta ópera da existência.

Foto: Rio Amazonas: O Desafio da Logística. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Não fosse apenas, o desafio amazônico, as distâncias dão o tempo e o ritmo dos ciclos nesta região. As distâncias incorporadas ao cotidiano dos caboclos nos lembra "os tempos lentos" de Milton Santos, e o desespero das empresas capitalistas para agilizarem o domínio sobre esta região tão especial. Neste caminho, balsas transitam diuturnamente, num exercício quase inglório diante da grandeza do rio Amazonas. Estamos chegando a Parintins!


Saudações Geográficas!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

RUMO Á PARINTINS, DIÁRIO DE BORDO 1

Foto: Rio Amazonas.Autor: Geóg. M. Bechman, 2012

De  Manaus a Parintins, fizemos a opção de Barco, via Rio Amazonas. O Navio Parintins foi o escolhido por ser casco de ferro e pelo tamanho ser imponente o suficiente para oferecer uma certa segurança aos andarilhos. Tudo é muito novo, mas a tortura por busca de informações seguras sobre o trajeto e embarcações, foram diluídas ante a paisagem exuberante do Amazonas. O vento, as águas e a paisagem sob o sol amazonense, tornou nossa viagem um pouco mais prazerosa. Reconhecemos que descer o rio Amazonas é mesmo bem melhor que subí-lo.

 
Foto: Encontro das águas, do Rio Negro com o Rio Solimões
. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.


Só para se ter uma idéia, viajamos em 18 horas do Porto do Rodway em Manaus, tendo duas paradas, uma no Porto da Manaus Moderna para pegar passageiros que compraram seus bilhetes nas "agências" da Manaus Moderna e aí o embarque pareceu uma fuga cinematográfica de guerra para acessar o barco com destino á ilha tupinambarana. A  segunda parada do Navio Parintins foi no posto da Marinha para contar os passageiros, sendo aferidos 511 de uma capacidade de 615 para esta embarcação. Feita a vistoria, seguimos em direção a Parintins. Na passagem pelo encontro das águas dos rios Negro com o Solimões a beleza e gênese divina na formação do Rio Amazonas, o Negro com suas águas ácidas na cor de café com as águas barrentas do rio Solimões. A brisa constante já se torna um importante antídoto para os males causados pela vida urbana e para as doenças capitalitas como o stress, a fadiga e a ansiedade.


Foto: Redes atadas na embarcação. Autor: Geóg. M. Bechma, 2012.

Nosso passaporte, nas redes atadas no barco e trançadas a tantas outras pessoas com as suas, nos dão a clara idéia de que somos iguais, independente da formação profissional, da cultura e do gênero. Estávamos ali, num mesmo destino, embora diferentes em quase tudo. Mas, a grandeza do Amazonas simplesmente assusta, admira e encanta os andarilhos. O rio Amazonas está em vazante, mas ainda pode-se observar propriedades inundadas ao longo de suas margens, num ritual de séculos, misturando-se á própria mística da criação e recriação das paisagens amazônicas e amazonenses.

Cada residência na imensidão da paisagem natural, parece revelar a insgnificância da presença humana na vastidão da Amazônia. E, cada família cabocla transforma-se em heroína perante o gigantismo do imperador dos rios, o Amazonas. Neste cenário, o Amazonas ainda dá a tom da vida.


Foto: Crepúsculo no Rio Amazonas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Chegado o entardecer, o espetáculo da criação se mostra fielmente a partir do maravilhoso crepúculo que une sol e água, num caminho refletido nas águas do rio Amazonas. Um dos prêmios no trajeto de barco. Os tons dourados do rio iluminados pelo esplendor dos raios solares contrasta com a paisagem em verdes e de diferentes nuançes e cores esbranquiçadas das esécies vegetais em processo de realimentação da vida no rio Amazonas, paisagens aliás que lembram o inverno das zonas temperadas em descompasso ao verde variado da floresta higrófila. Isto é apenas um relato ínfimo de uma viagem pelo gigante Amazonas. A noite chega, e os pontos iluminados tornam-se mais escassos e a companhia de uma lua crescente ilumina a imensidão de água no cumprimento do destino. Estamos no meio do Amazonas e os andarilhos recolhem-se ás redes para o repouso, embora para este andarilho, sono é uma coisa, a ser desfrutada apenas em seu retorno á Manaus.

Saudações Geográficas!

domingo, 24 de junho de 2012

RUMO À ILHA TUPINAMBARANA



Foto: Embarcação no Porto da Manaus Moderna.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Nestes dias de festas Juninas intensamenre vividos pelo Nordeste e Norte do Brasil, este andarilho estará vivenciando o Festival Folclórico de Parintins no Amazonas, no embate quase centenário entre os Bois Garantido e Caprichoso na arena do Bumbódromo. Não dá para disfarçar a ansiedade de visitar este lugar tão especial. Estive em Parintins em 2008 avaliando o curso de Geografia da UEA, Universidade do Estado do Amazonas, mas fora uma visita profissional e ao mesmo tempo, não estávamos no período dos festejos.

Foto: Decoração do Teto da Balsa das Lanchas na Manaus Moderna.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

A nossa via sacra já começou, com a visita ao Porto de Manaus para identificar as embarcações mais seguras para chegar até a Ilha dos Tupinambaranas. Nossa! quanta dificuldade de obter informações seguras no chamado Porto do Rodway e a falta de informações (imagens das embarcações, das acomodações, dos materiais de segurança e dos ambientes) e por incrível que pareça foi no Porto da Manaus Moderna que consegui infomações melhores sobre as embarcações melhores e mais seguras para o Festival de Paritins. Fora isto, ainda temos que arrumar as mochilas, as redes e as cuias, o que se reflete em mais esforço necessário a uma viagem de 18 horas de barco.

Foto: Barcos regionais. Porto da Manaus Moderna.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
O barco será o Navio Parintins e, de acordo com nossos "consultores" da Manaus Moderna, é um dos melhores navios, pois tem casco de ferro, além de ser uma embarcação grande. Algumas destas dicas podem ser observadas no processo de planejamento do deslocamento. É importante coletar infomações sobre as embarcações, tempo de trajeto, lotação, tripulação, dimensão, aspectos da segurança, acomodações e vale até a consulta a outros que realizaram o trajeto na embarcação escolhida.

Foto: Bandeira do Caprichoso no Atlético Rio Negro Clube.

Bem, o espírito é de aventura e descoberta - aliás características sanguíneas de um andarilho. É também de suma importância produzir um roteiro de visita capaz de atender ás nossas necessidades e curiosidades e, claro, tempo livre para contemplar o belo. Aliás, é um dado importante para quem tem uma profissão como a de geógrafo aprender a fazer do trabalho um exercício prazeroso. Na oportunidade, estaremos reaalizando um encontro com o diretor da AGB - Associção de Geógrafos do Médio Amazonas na pessoa do Geógrafo Danúzio Azevedo para troca de experiências e outros assuntos.

Saudações Geográficas!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

SALVE O DIA DO GEÓGRAFO - 29 DE MAIO

Foto: Excursão ao Encontro das Águas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
Uma das profissões mais antigas do Mundo, os Geógrafos sempre estiveram presentes na conquista e alargamento dos horizontes geográficos, dos lugares inóspitos ás profundezas do intelecto para teorizar sobre a vida e o mundo, seu teatro de operações. Da mesma forma que seu exercicio profissional inquietante, desbravador e incômodo aos modelos cartesianos de produção do conhecimento, os geógrafos e geógrafas, sempre contribuiram de forma superlativa para a compreensão do mundo e de seus acontecimentos, num exercício lúdico, lúcido e andarilho na edificação de novas utopias.
Foto: Excursão Poronominaré. Educação Geográfica.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2011.

Antigos e novos paradigmas adereçam novos desafios e conclamam aos profissionais a lutar dignamente pelo reconhecimento social de sua atividade, cujo cenário nos remete a leitura de sociedade eivada de desjuízos sobre a Geografia e os profissionais geógrafos e geógrafas. Há sobretudo, um grande Analfabetismo Geográfico na sociedade, representado no hiato sociedade/natureza e na alienação sobre o valor essencial desta atividade profissional fascinante e multifacial.
Foto: Desbravando o Rio Negro. O trabalho do Geógrafo.
 Autor: Geóg. M. Bechman, 2011.
No plano institucional, precisamos enquanto cidadãos do mundo e da Amazônia responder ás questões da ordem do dia, cuja empresa recai inexoravelmente sobre a entidade que voluntariosamente assumimos o compromisso de retoná-la á sua normalidade. A AGB Manaus, é uma empreita de todos aqueles, que transformam sua profissão em sua própria vida, de antigos profissionais a jovens geógrafos e geógrafas que aceitaram a missão de dar o devido respeito a categoria profissional a que pertencemos. Mas sem vontade, não há vitória! Sem disposição nenhuma disponibilidade é válida e nenhuma luta valerá a pena! No nosso grandioso Dia, nosso fraternal abraço de saúde e esperança!


Salve 29 de Maio - Dia Nacional dos Geógrafos e das Géógrafas!

sábado, 19 de maio de 2012

FUTEBOL AMAZONENSE

Foto: Estádio Roberto Simonsen. SESI Manaus. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Muito se fala mal do futebol amazonense na grande mídia, mas ainda bem que existe a internet e apossibilidade de mostrar a nossa visão sobre os eventos. Como andarilho tenho ido aos jogos de futebol do campeonato amazonense de futebol e a despeito da "cultura" inventada de que o futebol do Amazonas não existe, busquei registrar algumas imagens que retratam bem a minha ótica sobre o nosso futebol.

Foto: Os torcedores lotam o Sesi na Decisão do Primeiro Turno.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.


A decisão do 1 turno no dia 17 de Março deste ano entre Princesa do Solimões e Nacional lotou os dois jogos, tanto no estádio Gilbertão em Manacapuru quanto em Manaus no Roberto Simonsen.
De fato, a organização dos clubes amazonenses deixa a desejar e a imprensa local que cobre o esporte pior ainda, pois não divulga positivamente os eventos esportivos quanto ao tamanho de seu merecimento. Veja, mesmo não havendo uma imprensa capaz de mover multidões aos estádios, é uma imprensa que sofre da síndrome do colonizado, em que apenas aprecia e enaltece os eventos produzidos em outras praças esportivas. É uma imprensa autodepreciativa e depreciativa de seus produtos, entre eles, o futebol. Decerto, que muitos cronistas não participaram da história do futebol amazonense e também não se identificam com o mesmo, pois foram educados para "fora" a partir da matriz cultural de outras regiões, além de não conhecerem a história dos clubes amazonenses.

Foto: Princesa do Solimões. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Assistindo aos jogos principais do certame, descobri que na verdade temos uma imprensa fraca e um futebol que não é ainda brilhante mas tem grandes valores dentro de campo. Um verdadeiro paradoxo, pois assistimos ao avanço do futebol apenas dentro das quatro linhas, ou seja, do túnel para o campo. Dirigentes não confiáveis estão a varejo e corroboram para uma imagem pouco apreciável do futebol amazonense.

Verdadeiras oligarquias se formam nos clubes e nas instituições ligadas ao futebol amazonense, tornando-se verdadeiras ditaduras como uma longividade impressionante superando décadas. A desmobilização dos torcedores parece também contribuir para este cenário, embora existam pessoas realmente sérias que amam o ludopédio e que ainda não tem força política para a reforma das instituições do futebol amazonense.

Foto: Estacionamento improvisado no Roberto Simonsen.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.


Uma imprensa descomprometida e uma elite no futebol que trabalha para o descaso com os clubes amazonenses, só poderíam conduzir o Amazonas ao papel coadjuvante no cenário futebolístico brasileiro. Com o grito engasgado na garganta os torcedores vão ao estádio empurrar seus clubes com o entusiasmo juvenil de adultos e crianças que sonham com um futebol digno das tradições da Terra de Ajuricaba.

Foto: Av. André Araújo em dias de Jogos do Amazonão.
 Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Neste sábado 19 de Maio, assisiti e me emocinei com a primeira partida da decisão do Campeonato Amazonense 2012 entre Nacional e Fast Clube (O Clássico Pai-Filho) que terminou com o empate em 2 a 2 aos 46 minutos na arrancada e no arremate do centro-avante Leonardo do Nacional para a explosão incontida da torcida azulina que mesmo com os ingressos majorados em 100% compareceu em bom número ao Clube do Trabalhador no Aleixo.

Contra o ingresso, a não divulgação passional do evento pela imprensa local colonizada, dirigentes não confiáveis, o torcedor ainda vai ao estádio e sentir a emoção que transformou este esporte num signo global de intercâmbio. Belíssimo jogo. O Fast joga um belo e vistoso futebol e o Naça é só emoção com sua torcida fiel e apaixonada que empurram seus atletas para as vitórias. Um clássico digno de um povo que ama o futebol, mas não é amado por suas elites.


Saudações Geográficas!