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segunda-feira, 27 de julho de 2015

ÁRVORE SAGRADA: SUMAÚMA DO PARQUE DO MINDÚ. MANAUS.AM

FOTO: SAMAÚMA DO PARQUE MUNICIPAL DO MINDÚ.
PLANTADA POR GRO HARLEM BRUNDTLAND, 1992.
 AUTOR: NACERJA, 2014.

A samaumeira na proximidade do chapéu de palha no Parque Municipal do Mindú foi plantada por nada mais nada menos que a ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland no dia 18 de março de 1992. Gro Harlem foi relatora do Relatório Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland publicado em 1987 em que propõe um novo modelo de desenvolvimento para o mundo, baseado na proteção dos recursos naturais e na sustentabilidade econômica e ambiental. 

O ato de plantar a espécie de samaúma (ceipa pentandra) teve caráter simbólico de grande valor pois serviu de marco de criação institucional do Parque Municipal do Mindú, justamente no ano em que se discutia a Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, mais conhecida como Rio-92 ou Eco-92.

A criação do parque representou a força dos manauaras e amazonenses, moradores do bairro Parque Dez de Novembro, que desde 1975 vinham lutando junto ao Estado para a criação de uma área de proteção ambiental que garantisse a harmonia socioespacial e evitasse a extinção de uma espécie de primata, o sauim-de-coleira, chamado popularmente de sauim-de-manaus, um dos seus ícones mais representativos da paisagem natural do Amazonas.

Obs: De forma proposital, grafamos Samaúma, pois esta espécie que ocorre nos continentes asiático, africano e americano, recebe diferentes denominações regionais. Neste sentido, preferimos, manter a gíria dos amazonenses!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

ÁRVORE SAGRADA: A MANGUEIRA DA VITÓRIA-RÉGIA



FOTO: MANGUEIRA DA GRES VITÓRIA-RÉGIA. AUTOR: CUCUNAÇA, 2015
Na Semana do Meio Ambiente, nada mais justo que homenagear as árvores de Manaus. Neste sentido, aponto que neste quase infinito de árvores da Amazônia, destacam-se aquelas cuja existência não marca apenas a paisagem natural, mas sobretudo o espaço urbano a partir da cultura.

Na rua Emílio Moreira no tradicional bairro da Praça 14 de Janeiro, uma mangueira plantada na frente da Escola de Samba Vitória-Régia, chama a atenção por "romper" com a construção da nova quadra da escola, parecendo ser integrada a arquitetura da construção. O tipo de mangueira é de frutos comuns. Mas, a despeito disto, esta mangueira já teria sido removida com a obra da nova quadra do Berço do Samba Amazonense, não fosse a sua representatividade simbólica e sua peculiar História.

Esta espécie vegetal fora plantada pela sambista e moradora Ticana Gouveia e seu marido para adornar e simbolizar os laços que fizeram a escola de samba Estação Primeira de Mangueira do Rio de Janeiro ser reverenciada como "Madrinha" da Verde e Rosa de Manaus. Moradores da área, relataram que eram na verdade duas mudas plantadas, mas que apenas uma de fato cresceu.

O bairro da Praça 14 de Janeiro sempre teve muitas mangueiras, onde essa cultura da chamada "economia de quintal" sempre fez parte do cotidiano de muitos moradores do bairro. Além do mais, nunca é bom deixar de resgatar a História das mangueiras com as populações afro-descendentes (quilombolas e mocambeiros), em que durante a escravidão nas senzalas e fazendas, foram criadas "crenças" de que não poderia se misturar "leite (produto das fazendas) com manga (espécie presente nas senzalas)". O que nada mais representava senão a preocupação do senhor da propriedade em impedir que os negros tomassem o leite que seria comercializado.

Sim, agora a mística e a representação simbólica unem natureza e cultura, num testemunho de resistência e amor á vida. Um legado importante para a cultura popular amazônica e amazonense, uma herança magnífica para as futuras gerações.

Saudações Ambientais!